sábado, 20 de abril de 2013

O PALHAÇO-D'QUIXOTE









O PALHAÇO-D'QUIXOTE
Óleo sobre tela
Alex Rocha
2013














La dentro no fundo do sertão tem um mundo encantado.


 Atrás da paisagem branca e vermelha, no fundo do sertão tem uma gente de sonhos, causos e aventuras. No fundo, lá no fundo do sertão, atrás do gado e plantas secas tem um povo rico de sonhos onde brota a  esperança.

Bem no  fundo do sertão tem um povo que canta e sonha!


Alex Rocha






A BOBOTINHA




A BOBOTINHA-JÚLIA
Óleo sobre tela
Alex Rocha



















O Rapto de Joana do Tarugo



Enfrentei fosso muralha e os ferros dos portais
Só pela graça da gentil senhora
Filtrando a vida pelos grãos de ampulhetas mortais
D'além de trás dos montes venho
Por campos de justas honrando este amor
Me expondo à sanha sanguinária de côrtes cruéis
Enfrentei vilões no Algouço e em Senhores de Biscaia
Fidalgos corpos de armas brunhidas
Não temo escorpiões cruéis carrascos vosso pai
Enfreado à porta de castelo
Tenho meu murzelo ligeiro e alazão
Que em lidas sangrentas bateu mil mouros infiéis
Ó Senhora dos Sarsais
Minh'alma só teme o Rei dos reis
Deixa a alcova vem-me à janela
Ó Senhora dos Sarsais
Só por vosso amor e nada mais
Desça da torre Naíla donzela
Venho d'um reino distante, errante e menestrel
Inda esta noite eu tenho esta donzela
Minha espada empenho a uma deã mais pura das vestais
Aviai pois a viagem é longa
Já vim preparado para vos levar
Já tarda e quase que o minguante está a morrer nos céus
Ó Senhora dos Sarsais
Minh'alma só teme o Rei dos Reis
Deixa a alcova vem-me à janela
Ó Senhora dos Sarsais
Só por vosso amor e nada mais
Desça da torre Joana tão bela
Naíla donzela, Joana tão bela




Elomar Figueira Melo

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A JUSTIÇA







A JUSTIÇA
Óleo sobre tela
Alex Rocha
2013









SÍMBOLO DA JUSTIÇA
 
Espada – A imagem da Espada representa coragem, força, regra e ordem. Significa a razão de forma clara e a força necessária para que os objetivos de justiça sejam alcançados.
Balança – Representa a igualdade, o equilíbrio e a ponderação. Aqui, o significado máximo é de que a justiça precisa ser igualitária, sem pender para nenhum lado envolvido, de forma as decisões aplicadas pela lei sejam justas e honestas.
Deusa de olhos vendados – Geralmente é uma imagem da deusa romana Justitia, que equivale à deusa grega Diké. No Direito, esta imagem muito presente nos símbolos da Justiça reafirma a intenção de que o tratamento da justiça deve ser igualitário para todos, sem nenhuma distinção ou tratamento diferenciado. Ao mesmo tempo, revela que a justiça busca a imparcialidade e ser objetiva em suas decisões. Como diz a afirmativa: “Todos são iguais perante a lei”.
Assim, como a Justiça está com seus olhos vendados, suas decisões são livres de interferências, resolvendo as questões de maneira clara e somente de acordo com as leis. Na imagem original, não havia a venda. Porém, através de uma interferência do povo alemão, surgiu a imagem com a venda, presente até os dias de hoje na maioria das representações e símbolos da Justiça em todo mundo.
Deusa de olhos abertos e sem venda – Este símbolo deve ser interpretado como a necessidade no Direito de impedir que qualquer detalhe importante para a aplicação da lei não seja levado em conta. Ou seja, trata-se de uma questão de obter um julgamento a partir de todos os pontos de vistas.
A FORÇA DOS SÍMBOLOS DA JUSTIÇA JUNTOS
Assim, os símbolos da Justiça juntos representam uma grande metáfora, repleta de significados. A Justiça sem a espada para determinar e impor sua aplicação é um organismo sem força. Por sua vez, a Justiça sem o equilíbrio da balança é pura força bruta, irracional e sem lógica. Da mesma maneira que sem a venda nos olhos sua imparcialidade fica comprometida. Cada um completa o outro elemento para que as decisões da Justiça sejam as mais justas, sempre!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

INCELENÇA PARA SECA















ESTUDO
 Incelença para Seca
Alex Rocha





















RETIRADA
Elomar Figueira Melo



Vai pela istrada enluarada
Tanta gente a ritirar
Levando só necessidade
Saudades do seu lugar

Esse povo muito longe
Sem trabalho, vem prá cá
Vai pela istrada enluarada
Com tanta gente a ritirar
Rumano para a cidade
Sem vontade de chegar

Passa dia, passa tempo
Passa o mundo devagar
Lembrança passa com o vento
Pidindo não ritirar

Tudo passa nesse mundo
Só não passa o sofrimento
Vai pela istrada enluarada
Com tanta gente a ritirar
Sem saber que mais adiante
Um ritirante vai ficar
  
Se eu tivesse algum querer
Nesse mundo de ilusão
Não deixava que a saudade sociada cum penar
Vivesse pelas estradas do sofrer a mendigar
Vai pela estrada enluarada
Com tanta gente a ritirar
Levando nos ombros a cruz
Que Jesus deixou ficar

Eu não canto por soberba
Nem tanto por reclamar
Em minha vida de labuta
Canto o prazer, canto a dor
Que as beleza devoluta
Que Deus no sertão botou
Vai pela estrada enluarada
Com tanta gente a ritirar
Passando com taça e veno
Bebendo fé e luar

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

SOBRE O FIM













O MAIS DESPREZADO DOS HOMENS
0,80 X 1,20
Alex Rocha











            E todos refletiam sobre o fim, sobre o fim do mundo.

O caldeirão era mexido. Na TV, noticias sobre novos velhos conflitos entre Israel e palestinos; a crise econômica na Europa; a impopularidade do presidente francês...

 Apagaram-se as luzes na cidade das luzes.

Na América, tanto Obama como também os desempregos continuam. Na Venezuela, Hugo Chaves admite pela primeira vez um possível afastamento da presidência.

É fim do mundo!

No Brasil, deus é brasileiro! Tudo continua normal. As mesmas manchetes, novos e velhos personagens da corrupção são destaque em horário nobre...

“Até tu Lula” tem seu nome mencionado em escândalos.

É o fim do mundo!

Enquanto isso em nosso mundo, “Itapetinga” com seu dístico glorioso...

 É fim do mundo!

Agora a quimera que engolia trabalhadores da região, vomita agonizante esses mesmos trabalhadores.

É o fim do mundo!

E o pior, estamos todos assustados olhando para o firmamento, para os asteróides e constelações, esperando e procurando o fim. E o fim está dentro de nós. Na intolerância de todos os tipos, na incompreensão, no nosso egoísmo, na nossa racionalidade e falta da mesma, na falta de compaixão e insensibilidade, no nosso costumeiro poder de achar que tudo é normal.

Falta misericórdia, compromisso, altruísmo, em fim, falta amor...

Realmente estamos chegando ao fim!




Alex Rocha

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

OLHOS D'ÁGUA E SABÃO













ALEX ROCHA
OLHOS D'ÁGUA E SABÃO
1.00 X 1.50
Óleo S/Tela
2012









Manhã

Que meu sim,
Seja manhã...
E minhas mãos, Contemplação...
Que meus olhos sejam noites,
E os teus imensidão...
Que meus passos sejam,
Caminhos...
E meu coração, labirinto...     
Um quê de saudade
e outro infinito...
Que minha flor, nasça eterna...
Como uma parte que se despedi,
e outra que se declara.
Como lágrimas sem olhares,
sem contemplação
Como flores que são asas e
cantam estações...
Com os espinhos que fere seu grito.
Que outra parte seja tempo...
Outra parte lembrança,
Outra parte esquecimento
Mesmo sem cor,
Que seja esperança...
Que meu corpo seja palco,
e o seu poesia...
e que o amor seja aurora
que tecem nossas mãos,
Sinfonia...


Valdeique Oliveira - Poeta






sábado, 24 de novembro de 2012

MENINO COM FLAUTA











MENINO COM FLAUTA
Alex Rocha
ÓLEO S/tELA
0,20 X 0,30










DOS TRÊS MAL-AMADOS





O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.



 As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.